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GUSTAVO WIGMAN - INSTITUTO VERTERE

Olimpíadas de conhecimento: uma oportunidade para melhorar a educação de forma rápida, barata e eficaz

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A educação no Brasil está patinando. Os dados do PISA, prova internacional que mede o desempenho dos alunos em matemática, ciências e leitura, foram divulgados este mês e colocaram o país novamente entre as últimas colocações. Para ilustrar a gravidade do problema, 43% dos alunos brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência nas três matérias avaliadas, contra uma média de 13% nos países da OECD.

O resultado ruim, no entanto, não é surpresa alguma. O desinteresse dos alunos pela escola tem sido um problema recorrente no Brasil, mesmo na rede privada de ensino. Excesso de conteúdo e ausência de contextualização estão entre as críticas mais frequentes, mas a verdade é que a dinâmica de ensino tampouco ajuda.

As diversas olimpíadas de conhecimento que acontecem no país, porém, dão provas de que engajar alunos nos estudos não é missão impossível. O país se encontra entre os maiores do mundo em número de participantes e vem obtendo excelentes resultados nas provas internacionais. O caso da matemática é emblemático: mesmo estando entre os piores do mundo na prova do PISA, o Brasil tem se mantido entre os melhores na Olimpíada Internacional de Matemática (Figura 1).

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Além de ótimas ferramentas de engajamento de alunos, as olimpíadas também contribuem com a educação em outras três frentes: i) são excelentes campos de testes e vitrines para novos projetos pedagógicos; ii) ajudam no diagnóstico da educação no país ao testar alunos de milhares de colégios com a mesma régua; e iii) podem ser usadas como instrumento de capacitação e reconhecimento de professores.

Os projetos olímpicos são facilmente escaláveis e os resultados aparecem rapidamente. A Olimpíada Internacional de Economia, por exemplo, foi lançada em 2018, e os alunos brasileiros tiveram uma performance brilhante nas duas primeiras edições: ficaram em 3º lugar em 2018 e, este ano, o time nacional voltou da Rússia com o título de campeão mundial.

Outra vantagem das olimpíadas é o baixo custo de execução. Com menos de R$10 por aluno por ano é possível levar o projeto aos quatro cantos do país e atingir centenas de milhares de alunos. E o legado de uma olimpíada bem organizada não se restringe ao universo dos alunos que participam da competição. Todos os estudantes e professores dos colégios envolvidos com esse tipo de evento se beneficiam com a troca de experiências e com o aprendizado das provas, potencializando o retorno sobre o investimento.

Embora estudos sobre o impacto das olimpíadas na performance acadêmica sejam escassos, os resultados observados nas escolas que participam da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) são bastante animadores. Como se pode notar na Figura 2, o desempenho dos alunos nas provas de matemática da Prova Brasil e no PISA está diretamente ligado ao grau de envolvimento dos colégios com a olimpíada, e os mesmos resultados provavelmente seriam observados se a pesquisa considerasse outras olimpíadas disponíveis no país.

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Além dos ganhos na performance escolar, as olimpíadas também oferecem aos alunos a oportunidade de estudar temas normalmente inexplorados pelos colégios, conhecer pessoas com as quais compartilham interesses, fazer novos amigos, viajar e representar o país em eventos internacionais. Elas também cumprem um papel importante de aproximar os alunos de debates sobre temas da atualidade e tendências para o mercado de trabalho.

Já para os professores, muitas vezes desmotivados pela falta de interesse dos alunos na sala de aula, as olimpíadas são uma chance de virar o jogo e reacender a paixão pelo ensino (e pelo aprendizado). Esses eventos também funcionam como plataformas de divulgação dos projetos que desenvolvem com os alunos e trazem ganhos concretos para suas carreiras. Um bom professor olímpico tem as portas abertas na maioria dos bons colégios do país e espaço para explorar a carreira de autor de materiais didáticos.

Para a escola, ter alunos e professores mais engajados já é suficiente para melhorar substancialmente os seus resultados acadêmicos e, portanto, a reputação da sua marca. Mas os programas olímpicos podem ir além dos ganhos na atração e retenção de alunos no turno regular: como exploram temas de interesse de alunos e famílias, são fortes candidatos para projetos estruturados de contraturno, que podem contribuir de forma significativa para a rentabilidade do negócio.

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O Instituto Vertere foi fundado com o objetivo de potencializar esses efeitos positivos. Embora formalizado em 2017, sua equipe envolve-se com olimpíadas desde 1996 e participou ativamente da criação e organização de mais de uma dezena de eventos nos mais variados temas, como Astronomia, Biologia, Geografia, Informática, Lógica e Neurociências. Esses eventos alcançam hoje milhões de estudantes e ajudam a colocar o Brasil entre os maiores países do mundo em termos de público participante de olimpíadas de conhecimento.

Adotamos e expandimos a Olimpíada Brasileira de Linguística (OBL) em 2017, lançamos a Olimpíada Brasileira de Economia (OBECON) em 2018 e, neste ano, inauguramos a Sapientia - Olimpíada do Futuro, uma iniciativa transdisciplinar com o principal objetivo de colocar os jovens no centro das discussões sobre as constantes ondas de transformação do mundo. Em 2020, lançaremos a Olimpíada de Medicina e estamos estudando a possibilidade de outras duas verticais importantes para a discussão da empregabilidade no futuro.

Fizemos investimentos relevantes em plataformas de tecnologia e na revisão de processos, além disso conseguimos expandir o alcance das olimpíadas e baratear o custo por aluno de forma expressiva. Os resultados até agora têm sido excelentes: transformamos a Olimpíada Brasileira de Linguística na maior olimpíada de linguística do mundo (em número de participantes), aumentamos o número de finalistas vindos de escolas públicas (por mérito e não por cota), conquistamos o primeiro lugar na competição de economia e nos tornamos referência para outros países na organização desse tipo de evento. Mesmo baseados em um país desacreditado no setor da educação, devido ao desempenho ruim no PISA, conseguimos construir um modelo de educação inovador, eficaz e facilmente exportável para outros países que também sofrem com a falta de engajamento no processo de educação.

Essa construção só foi possível com a ajuda e o apoio financeiro de amigos e patrocinadores que acreditaram no projeto. Temos muito a comemorar, mas estamos longe de alcançar o potencial pleno do projeto. Como uma organização sem fins lucrativos, precisamos sempre de apoiadores para manter o ritmo de crescimento, o impacto das olimpíadas e continuar contribuindo para a melhoria da educação brasileira. Caso tenha interesse em fazer parte desse movimento para transformar a educação e desenvolver em nossos jovens as habilidades do futuro, entre em contato conosco.

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Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/olimp%C3%ADadas-de-conhecimento-uma-oportunidade-para-melhorar-wigman

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